Espaço para comunicar erros nesta postagem
O governo da Bolívia lançou nesta quinta-feira (13), em Guayaramerín, na província de Vaca Díez, o plano Fronteira Segura, uma iniciativa de cooperação com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para reforçar o combate ao crime organizado e ampliar o controle nas áreas consideradas mais vulneráveis da faixa de fronteira entre os dois países.
O lançamento ocorreu ao meio-dia, na praça principal de Guayaramerín, com a presença do presidente boliviano, Rodrigo Paz Pereira, de ministros do governo e de representantes das forças de segurança da Bolívia e do Brasil. Entre os representantes de Rondônia estiveram Alex Redano, presidente da Assembleia Legislativa do Estado, e Elias Resende de Oliveira, secretário-chefe da Casa Civil.
A iniciativa prevê uma atuação coordenada entre a Polícia Boliviana e a Polícia Federal Brasileira, com operações permanentes em pontos estratégicos da fronteira. Segundo o governo boliviano, o objetivo é identificar, combater e desmantelar organizações criminosas que utilizam a região para a prática de crimes como tráfico de drogas, contrabando e tráfico de pessoas.
Reforço policial
Durante o lançamento, Paz Pereira afirmou que o plano prevê o deslocamento permanente de unidades especializadas e tropas de elite da Polícia Boliviana para áreas consideradas estratégicas. Entre os pontos citados estão Guayaramerín, Cobija, capital do departamento de Pando, além de San Ignacio e San Matías, em Santa Cruz.
Segundo o presidente, a estratégia busca atingir diretamente as estruturas do crime organizado instaladas em território boliviano e que utilizam as rotas de fronteira com o Brasil para ampliar suas atividades.
O ministro do Governo da Bolívia, Marco Antonio Oviedo, afirmou que a prioridade é reforçar as chamadas “zonas vermelhas”, áreas onde o índice de violência é considerado elevado. Além de Guayaramerín e Cobija, o planejamento inclui pontos de Santa Cruz, San Matías, Puerto Suárez e outras regiões próximas à fronteira.
Oviedo ressaltou ainda que as forças de segurança dos dois países já mantêm mecanismos de troca de informações e coordenação de operações.
Disputa entre organizações criminosas
As autoridades bolivianas apontam a fronteira com o Brasil como uma área estratégica para organizações criminosas que disputam rotas utilizadas pelo narcotráfico.
Entre os grupos mencionados pelo governo estão o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), apontados como participantes de uma disputa por território e rotas de tráfico, juntamente com grupos locais.
A preocupação das autoridades aumentou depois de uma série de episódios violentos registrados em diferentes regiões da Bolívia, especialmente em Santa Cruz. O governo afirma que o avanço das organizações criminosas brasileiras sobre áreas bolivianas elevou a necessidade de uma resposta conjunta entre os dois países.
O governo ainda relaciona parte dessa dinâmica a integrantes associados ao narcotraficante uruguaio Sebastián Marset, cuja atuação na Bolívia foi alvo de investigações relacionadas ao tráfico internacional de drogas.
Segurança e investimentos
Durante a agenda em Guayaramerín, Rodrigo Paz ainda relacionou o reforço da segurança à retomada dos investimentos e ao desenvolvimento da região amazônica.
O presidente ressaltou a previsão de US$ 204 milhões para projetos de eletrificação no norte da Amazônia e mencionou investimentos destinados à ampliação da infraestrutura rodoviária e à integração de Guayaramerín ao sistema nacional de transportes.
Segundo Paz, a melhoria da infraestrutura deverá beneficiar os departamentos de Beni e Pando, ampliando a capacidade de integração econômica da região.
O presidente boliviano ainda defendeu a construção de uma ligação rodoviária bioceânica entre Brasil, Bolívia e Peru. Na avaliação dele, o projeto poderá ampliar o fluxo comercial e transformar a Amazônia Setentrional em um relevante corredor de integração regional.
Paz estimou que o comércio movimentado pelo projeto poderá alcançar entre US$ 5 bilhões e US$ 7 bilhões na região.
Cooperação entre os dois países
O plano Fronteira Segura amplia a cooperação entre Brasil e Bolívia em uma área considerada estratégica para a segurança dos dois países. A proposta é manter ações integradas de inteligência, troca de informações e operações policiais para reduzir a atuação de grupos criminosos e aumentar a presença do Estado na região.
O embaixador do Brasil na Bolívia, Luís Henrique Sobreira, ressaltou que os dois governos compartilham o objetivo de combater conjuntamente as organizações que atuam de forma transfronteiriça.
A agenda em Guayaramerín ainda ocorre em meio às discussões sobre a integração física entre Brasil e Bolívia, incluindo os avanços relacionados à futura Ponte Binacional e a novos projetos de infraestrutura na região de fronteira.
Fonte: News Rondônia
Publicado por:
Voz do Povo PVH
Voz do Povo PVH é um portal de notícias de Porto Velho criado para informar, conectar e dar voz à população. Com cobertura diária dos principais acontecimentos da capital e de Rondônia, o site leva informação com credibilidade, agilidade e...
Saiba Mais/Dê sua opinião
Qual o seu nível de satisfação em relação ao serviço público prestado?
Para participar desta enquete, realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se

Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se