Espaço para comunicar erros nesta postagem
Você já tentou cortar um papel, abrir uma lata ou escrever usando a mão que não domina? Para muita gente, seria apenas uma brincadeira ou um desafio rápido. Para as pessoas canhotas, contudo, situações parecidas fazem parte da rotina.
Celebrado em 13 de agosto , o Dia Internacional do Canhoto foi criado para valorizar quem utiliza preferencialmente a mão esquerda e chamar atenção para uma realidade que frequentemente passa despercebida: grande parte dos objetos, ferramentas e espaços de uso cotidiano foi projetada pensando nos destros.
Tesouras, abridores, carteiras escolares, instrumentos musicais, utensílios domésticos e equipamentos profissionais são alguns exemplos. Separadamente, essas dificuldades podem parecer pequenas. Juntas, apontam por que falar sobre adaptação, respeito e inclusão continua sendo necessário.
Para muitos canhotos, a experiência pode ser resumida em uma frase: “Não é que eu não saiba usar. É que esse objeto não foi pensado para a minha mão.”
As primeiras iniciativas de valorização dos canhotos surgiram na década de 1970. A celebração ganhou projeção internacional em 13 de agosto de 1992 , quando o Left-Handers Club, no Reino Unido, lançou uma campanha para conscientizar a população sobre as vantagens e dificuldades de usar a mão esquerda.
A proposta era simples: permitir que os canhotos falassem sobre suas experiências e estimular os destros a perceberem situações que normalmente não chamavam sua atenção.
Desde então, a data passou a ser lembrada em diferentes países. Algumas ações convidam pessoas destras a usar objetos próprios para canhotos ou realizar atividades com a mão esquerda. A experiência auxilia a mostrar como uma tarefa aparentemente fácil pode se tornar desconfortável quando o objeto utilizado não acompanha o movimento natural da pessoa.
Uma pessoa é considerada canhota quando demonstra mais habilidade e preferência pelo uso da mão esquerda para escrever, desenhar, cortar, arremessar ou realizar outras tarefas.
Essa preferência está relacionada à lateralidade, característica que faz parte do desenvolvimento motor e da organização do sistema nervoso. Ser canhoto não é doença, deficiência, desvio de comportamento ou problema de aprendizagem. É apenas uma das diferentes maneiras pelas quais o corpo humano se organiza.
A ciência aponta que a definição da mão dominante pode envolver fatores genéticos, neurológicos e ligados ao desenvolvimento. Não existe, portanto, uma única explicação para alguém nascer canhoto.
Também não é correto afirmar que todo canhoto é necessariamente mais inteligente ou criativo. Embora existam estudos sobre possíveis diferenças na organização cerebral, cada pessoa possui capacidades, experiências e habilidades próprias.
É na sala de aula que muitas crianças canhotas percebem, pela primeira vez, que alguns materiais não foram planejados para elas.
Ao escrever, a mão esquerda passa sobre as palavras que acabaram de ser registradas, pois a escrita ocorre da esquerda para a direita. Isso pode borrar a tinta, esconder parte do texto e fazer a criança adotar uma posição desconfortável para enxergar o que está escrevendo.
Um sentimento comum entre estudantes canhotos pode ser traduzido assim: “Eu achava que segurava o lápis errado. Depois entendi que precisava apenas encontrar uma posição confortável para escrever.”
Também existem dificuldades com tesouras. Nos modelos tradicionais, a posição das lâminas favorece o uso com a mão direita. Quando o canhoto tenta cortar, pode não conseguir enxergar a linha ou aplicar a força necessária.
As carteiras escolares com apoio apenas no lado direito são outro exemplo. Nelas, o estudante canhoto fica sem sustentação para o braço e precisa inclinar o corpo no decorrer de a escrita.
Durante muito tempo, ser canhoto foi tratado como um comportamento que precisava ser corrigido. Muitas crianças eram obrigadas a escrever com a mão direita. Algumas chegaram a sofrer castigos ou tiveram a mão esquerda imobilizada no decorrer de as atividades escolares.
Essa prática é inadequada e pode provocar frustração, ansiedade, insegurança e dificuldades no desenvolvimento motor. A orientação é respeitar a preferência natural da criança, oferecendo condições para que ela aprenda sem constrangimentos.
Pais e professores podem auxiliar com atitudes simples:
A criança canhota não precisa ser “corrigida”. Ela precisa ser acolhida, orientada e respeitada.
As dificuldades não desaparecem quando a vida escolar encerra. Em algumas profissões, máquinas, controles e equipamentos só podem ser operados confortavelmente com a mão direita.
Nesses casos, o canhoto precisa adaptar a postura e fazer movimentos menos naturais. Além de causar cansaço, isso pode reduzir a precisão e aumentar o risco de acidentes.
Quem passa por essa situação costuma explicar: “A gente aprende a se virar, porém isso não significa que o equipamento seja adequado.”
As empresas devem observar as necessidades de cada trabalhador e, quando necessário, adaptar ferramentas e postos de trabalho. Não se trata de privilégio, porém de garantir segurança, conforto e igualdade de condições.
O Dia Internacional do Canhoto aponta que a inclusão ainda acontece em pequenas escolhas. Uma carteira escolar adequada, uma tesoura adaptada ou uma ferramenta que possa ser usada com qualquer uma das mãos pode fazer grande diferença.
Uma alternativa relevante é o chamado design ambidestro. Nesse modelo, os produtos são planejados para funcionar de maneira confortável tanto para destros quanto para canhotos. Assim, todos podem utilizar o mesmo objeto com segurança e autonomia.
Para quem é destro, talvez seja difícil perceber essas barreiras. Uma experiência simples pode auxiliar: tente abrir uma embalagem, mexer no mouse ou escrever algumas linhas com a mão esquerda. O desconforto sentido por alguns minutos auxilia a compreender as adaptações feitas pelos canhotos todos os dias.
Em diferentes épocas e culturas, o lado esquerdo foi associado injustamente a ideias negativas. Por causa dessas crenças, pessoas canhotas foram discriminadas e muitas crianças tiveram sua lateralidade reprimida.
Esse preconceito perdeu força com o avanço do conhecimento, porém a lembrança desse passado continua relevante. Ela aponta como uma característica natural pode ser transformada em motivo de constrangimento quando falta informação.
O dia 13 de agosto auxilia a romper com esses estigmas. A data não pretende apresentar os canhotos como melhores ou piores, porém lembrar que as diferenças fazem parte da sociedade e precisam ser respeitadas.
O principal significado do Dia Internacional do Canhoto está na valorização da diversidade. A celebração convida escolas, famílias, empresas e fabricantes a olhar para necessidades que frequentemente passam despercebidas.
Ser canhoto não impede ninguém de estudar, trabalhar ou desenvolver qualquer atividade. O que pode dificultar esse caminho é a ausência de materiais, ambientes e orientações adequadas.
No fim, a mensagem da data é simples: “Eu não preciso que façam tudo por mim. Preciso apenas que ainda pensem em mim.”
Neste 13 de agosto, mais do que parabenizar os canhotos, é relevante ouvi-los. Afinal, incluir é perceber as diferenças e fazer os ajustes necessários para que todos tenham as mesmas oportunidades .
Fonte: News Rondônia
Publicado por:
Voz do Povo PVH
Voz do Povo PVH é um portal de notícias de Porto Velho criado para informar, conectar e dar voz à população. Com cobertura diária dos principais acontecimentos da capital e de Rondônia, o site leva informação com credibilidade, agilidade e...
Saiba Mais/Dê sua opinião
Qual o seu nível de satisfação em relação ao serviço público prestado?
Para participar desta enquete, realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se

Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se