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A convocação de Trent Alexander-Arnold para os próximos compromissos da Inglaterra recolocou o lateral-direito do Real Madrid no radar de Thomas Tuchel, mas não apagou uma questão que acompanha o jogador há anos. Mesmo disposto a lhe dar uma nova oportunidade, o treinador deixou claro que espera uma mudança de comportamento sem a bola. Para voltar a se firmar na seleção, Arnold terá de oferecer mais segurança defensiva.
— Ele tem que fazer isso, é necessário — disse Tuchel quando questionado se Alexander-Arnold contribuía o suficiente na defesa.
— Tenho certeza de que ele vai fazer isso, mas ele não tem escolha.
A declaração retoma uma cobrança que não é nova. Tuchel já havia recorrido ao lateral em apenas uma oportunidade desde que assumiu a seleção inglesa, nos jogos contra Andorra e Senegal, em junho do ano passado. Na ocasião, Arnold entrou no segundo tempo diante de Andorra, aos 64 minutos, mas não conseguiu permanecer nos planos do treinador para a Copa do Mundo. Não à toa, ficou de fora da lista final.
Agora, o cenário mudou e ele recebeu uma nova chance. O retorno, porém, acontece em um momento no qual o lateral de 27 anos também não atravessa uma sequência de protagonismo no Real Madrid. Arnold foi titular em três dos cinco jogos da equipe merengue nesta temporada, e suas atuações passaram praticamente despercebidas. Ainda assim, Tuchel continua reconhecendo aquilo que o jogador pode entregar.
A qualidade que diferencia Arnold continua sendo o passe
Alexander-Arnold construiu sua reputação por uma característica que poucos laterais conseguem oferecer no mesmo nível: a capacidade de participar do jogo ofensivo a partir de zonas mais recuadas e encontrar companheiros com passes de grande alcance. Sua amplitude de passe se tornou uma das principais marcas de sua carreira e também explica por que ele continua sendo considerado uma alternativa relevante para a Inglaterra.
É essa qualidade que faz Tuchel enxergar valor no jogador mesmo sem colocá-lo no meio-campo. O treinador mantém a ideia de utilizar Arnold como lateral-direito, posição na qual ele precisa conciliar sua influência na construção das jogadas com responsabilidades defensivas que, historicamente, aparecem como seu ponto mais questionado.
A cobrança, portanto, não significa que Tuchel tenha deixado de reconhecer o talento do jogador. Pelo contrário. O treinador sabe o que Arnold é capaz de produzir com a bola e agora quer que essa contribuição venha acompanhada de maior solidez quando a Inglaterra estiver sem ela.
— Ele ficou sabendo da boa notícia sobre a convocação. Não tenho certeza se muitas coisas mudaram. Sei do que ele é capaz. Conheço o talento dele. Sei o que ele está dizendo: que está desesperado para jogar pela Inglaterra e que vai lutar pela camisa. É uma concentração longa e é um bom momento para se destacar. É uma chance para Trent reivindicar o que ele sente que é dele – seu lugar na lateral direita. Então, vamos lá.
Arnold terá de reconquistar espaço com Tuchel na Inglaterra
A tarefa não será simples porque a própria hierarquia definida por Tuchel mostra que o retorno à seleção não representa uma vaga garantida. O alemão afirmou anteriormente que Tino Livramento e Jarell Quansah estão à frente de Alexander-Arnold na disputa pela lateral direita. Os dois também foram chamados para os compromissos contra Espanha, República Tcheca e Croácia.
A ausência de Reece James abre espaço para uma nova avaliação. O jogador do Chelsea está lesionado, assim como Djed Spence, que também pode atuar pelas duas laterais. Ben White é outro nome fora por problema físico e, segundo Tuchel, seria considerado caso estivesse disponível. O zagueiro Ezri Konsa, presente na convocação, também já desempenhou a função.
Nesse contexto, Alexander-Arnold chega à seleção com uma oportunidade concreta, mas acompanhado de uma exigência específica. Tuchel não está pedindo que ele abandone aquilo que tornou seu futebol reconhecido. A cobrança é para que o lateral acrescente ao seu repertório uma resposta mais consistente defensivamente.
Para Arnold, a nova convocação representa a possibilidade de recuperar um espaço que já pareceu seu, mas a permanência dependerá também de responder à principal dúvida que o acompanha desde o início da carreira: até que ponto consegue transformar seu enorme impacto com a bola em segurança para a equipe quando precisa defender.
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