PORTAL RIO MADEIRA – Empresários, comerciantes e profissionais autônomos de Guajará-Mirim, município de Rondônia localizado na fronteira com a Bolívia, estão sendo alvo de uma campanha de boicote motivada por posicionamentos políticos após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais de 2026.

A situação foi relatada ao Portal Rio Madeira pela empresária Cinthya de Melo, proprietária do Instituto da Patroa, um dos estabelecimentos incluídos em uma lista que passou a circular nas redes sociais e em grupos de WhatsApp.

Segundo a empresária, a relação começou a ser elaborada após a confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no domingo (25), em um grupo denominado “PATRIOTAS”, formado por apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL).

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Uma captura de tela encaminhada à empresária mostrava que o grupo possuía 536 participantes no momento do registro.

O material compartilhado reúne nomes de empresas e trabalhadores da cidade e incentiva a população a deixar de consumir produtos e contratar serviços daqueles identificados como simpatizantes do Partido dos Trabalhadores.

Lista incentiva moradores a boicotarem estabelecimentos comerciais

A publicação que passou a circular em Guajará-Mirim apresenta a mensagem “Lugares e pessoas de esquerda que apoiam PT”, seguida de uma convocação para que consumidores evitem os estabelecimentos mencionados.

Foto/Reprodução: material encaminhado ao Portal Rio Madeira

Foto/Reprodução: material encaminhado ao Portal Rio Madeira

Entre as frases utilizadas no material está a orientação: “Não compre nada e não dê nem água”.

A lista reúne aproximadamente 30 referências a estabelecimentos e profissionais de diferentes segmentos, incluindo restaurantes, lojas, padarias, salões de beleza, serviços de alimentação, academias e trabalhadores autônomos.

Entre os nomes mencionados estão o Instituto das Patroas, Nico Refeições, Churrasquinho Bonfim, Casa de Carne Lincon, Restaurante Pôr do Sol, Restaurante Casário, Loja Fronteira e Academia CT Movimente-se, além de outros negócios e prestadores de serviços da cidade.

O conteúdo também apresenta a frase “Juntos contra o petismo” e incentiva os participantes a utilizarem seu poder de compra como forma de manifestação política.

A inclusão dos nomes na publicação, entretanto, não comprova que todos os empresários e profissionais citados apoiem Lula ou possuam qualquer vínculo partidário.

Até o momento, não foram esclarecidos os critérios utilizados para elaborar a relação nem identificados formalmente os responsáveis pela criação e divulgação da arte.

Além da inclusão de seu estabelecimento na lista, Cinthya de Melo relatou ao Portal Rio Madeira que passou a ser alvo de comentários ofensivos relacionados à sua preferência política.

Segundo ela, integrantes do grupo teriam compartilhado mensagens de áudio com deboches, xingamentos e manifestações dirigidas à sua pessoa.

A empresária afirma que a situação ultrapassou o debate eleitoral e passou a atingir diretamente sua atividade profissional.

O Instituto da Patroa foi citado na campanha de boicote, que busca desestimular a contratação de serviços e o consumo em estabelecimentos associados a determinados posicionamentos políticos.

O Portal Rio Madeira recebeu o relato da empresária sobre os episódios. A identificação dos responsáveis pelas mensagens e a eventual adoção de medidas legais ainda dependem de informações complementares.

“Meu estabelecimento não é palco de intolerância política”, afirma empresária

Diante da repercussão, Cinthya de Melo divulgou uma nota de repúdio à campanha de boicote e às manifestações que considera ofensivas.

Foto/Reprodução: material encaminhado ao Portal Rio Madeira

Foto/Reprodução: material encaminhado ao Portal Rio Madeira

No comunicado, a empresária defende o direito de cada cidadão expressar suas convicções políticas sem sofrer tentativas de intimidação ou prejuízo profissional.

“É lamentável ver que, em pleno século XXI, ainda existam pessoas que tentam transformar a política em motivo de perseguição, boicote e divisão entre cidadãos”, declarou.

Cinthya confirmou publicamente seu apoio ao presidente Lula e afirmou que não pretende esconder suas escolhas por causa das críticas recebidas.

“Eu sou Lula, sim! E continuo sendo a mesma pessoa, com os mesmos valores, o mesmo trabalho e o mesmo respeito por quem pensa diferente de mim”, destacou.

A empresária também ressaltou que seu posicionamento político não interfere na forma como atende os clientes.

“Meu estabelecimento é um espaço de trabalho, dedicação e luta diária. Não é um comitê político, muito menos um lugar onde se exige que alguém tenha determinado posicionamento para ser bem-vindo”, afirmou.

Empresários defendem respeito às diferenças políticas

Na manifestação, Cinthya questionou a tentativa de transformar divergências eleitorais em motivos para prejudicar o sustento de comerciantes e profissionais autônomos.

Para a empresária, a democracia pressupõe a convivência entre pessoas com opiniões diferentes, sem que isso comprometa relações comerciais ou profissionais.

“Democracia não é aceitar apenas quem pensa igual. Democracia é conviver com as diferenças, respeitar escolhas e compreender que ninguém é obrigado a pensar como você”, declarou.

Ela também afirmou que continuará trabalhando normalmente e que não pretende mudar sua postura diante das manifestações.

“Não preciso que todos concordem comigo. Exijo apenas o respeito que também ofereço aos outros”, acrescentou.

Ao encerrar a nota, a proprietária do Instituto das Patroas reforçou que continuará recebendo clientes independentemente de suas preferências eleitorais.

“Quem quiser frequentar meu estabelecimento será recebido com respeito, independentemente de sua preferência política. É assim que eu penso, é assim que eu trabalho e é assim que continuarei sendo.”

Segundo o relato encaminhado ao Portal Rio Madeira, outros empresários mencionados na lista também se manifestaram contra a iniciativa.

Campanha gera preocupação sobre possíveis prejuízos aos trabalhadores

A divulgação da relação provocou preocupação entre os profissionais citados, principalmente diante da possibilidade de que a campanha afete a procura por seus produtos e serviços.

A situação envolve negócios de diferentes portes, incluindo pequenos empreendedores e trabalhadores autônomos que dependem diretamente da clientela local para manter suas atividades.

Embora cada consumidor tenha liberdade para decidir onde realizar suas compras, a divulgação de listas que atribuem posicionamentos políticos a terceiros, acompanhadas de ataques pessoais, pode levantar questionamentos sobre eventuais ofensas e danos à reputação dos envolvidos.

A existência de responsabilidade jurídica, entretanto, depende da análise das circunstâncias concretas e das provas disponíveis.

Até o momento, não há informações confirmadas sobre registro de ocorrência policial ou medidas judiciais relacionadas à divulgação da lista em Guajará-Mirim.

Também não foi possível estabelecer se todos os participantes do grupo concordavam com a iniciativa ou participaram de sua elaboração.

Caso repercute após resultado das eleições presidenciais

O episódio ocorreu após o segundo turno das Eleições 2026, quando Lula conquistou a reeleição à Presidência da República, enquanto Flávio Bolsonaro obteve a maioria dos votos em Rondônia.

Em Guajará-Mirim, o candidato do PL também venceu a disputa, mas o resultado local não impediu que eleitores com diferentes preferências políticas se manifestassem publicamente.

A campanha de boicote denunciada por Cinthya de Melo evidencia a tensão entre grupos com posições eleitorais divergentes e seus possíveis reflexos sobre o comércio e as relações sociais no município.

A empresária defende que as diferenças políticas não sejam utilizadas para constranger trabalhadores ou afastar consumidores de estabelecimentos comerciais.

O Portal Rio Madeira acompanha a repercussão do caso e mantém espaço aberto para manifestações dos empresários citados e dos responsáveis pela divulgação da lista.

Foto/Reprodução: material encaminhado ao Portal Rio Madeira

FONTE/CRÉDITOS: Portal Rio Madeira — https://portalriomadeira.com.br/2026/10/26/empresarios-de-guajara-mirim-denunciam-campanha-de-boicote-por-posicionamento-politico-apos-reeleicao-de-lula/