A Polícia Federal mantém em andamento as investigações da Operação Reduto, deflagrada em Rondônia para apurar um suposto esquema envolvendo fraudes em contratações públicas, desvio de recursos e lavagem de dinheiro.

A ofensiva foi realizada em Ariquemes, Porto Velho e Manaus (AM), com o cumprimento de 19 mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão preventiva. As ordens judiciais foram expedidas pelo Tribunal de Justiça de Rondônia.

De acordo com a PF, a investigação identificou indícios de irregularidades relacionadas a contratos públicos e movimentações financeiras consideradas suspeitas. A apuração também alcança a possível utilização de estruturas empresariais para ocultar a origem dos recursos.

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Investigação mira duas frentes

Uma das linhas investigativas está relacionada a possíveis fraudes em processos de contratação pública. A suspeita é de que empresas e agentes públicos tenham atuado de maneira coordenada para favorecer determinados contratos.

Outra frente envolve a suspeita de “rachadinha”, prática em que parte dos salários de servidores pode ser desviada ou repassada a terceiros. Segundo as investigações divulgadas até o momento, servidores públicos teriam sido utilizados para movimentações financeiras ligadas ao esquema.

Como parte das medidas determinadas pela Justiça, 11 servidores foram afastados cautelarmente. Também foi autorizado o bloqueio de bens, valores, ativos financeiros e criptoativos de investigados, em um montante que pode chegar a R$ 9 milhões.

Dinheiro, veículos e bens de luxo entram no radar

As diligências também buscam esclarecer a origem de patrimônio e movimentações financeiras consideradas incompatíveis com os rendimentos declarados pelos investigados.

Durante as buscas, foram apreendidos aproximadamente R$ 800 mil em dinheiro, além de veículos e objetos de alto valor, segundo informações divulgadas sobre a operação. A PF trabalha para identificar a origem dos recursos e verificar se os bens possuem relação com possíveis crimes contra a administração pública.

As investigações tiveram como ponto de partida análises de movimentações financeiras consideradas atípicas. A partir do cruzamento de informações, os investigadores passaram a identificar possíveis conexões entre empresas, agentes públicos e pessoas que estariam ligadas ao fluxo dos recursos.

Operação pode ter novos desdobramentos

Com celulares, computadores, documentos e outros materiais apreendidos, a expectativa é de que o conteúdo recolhido durante a operação seja analisado pela Polícia Federal e possa revelar novas conexões.

A operação conta com participação da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Ministério Público de Rondônia (MPRO), ampliando o cruzamento de informações sobre contratos, patrimônio e movimentações financeiras.

Até o momento, as investigações seguem em andamento e os envolvidos são considerados investigados, sem condenação definitiva. A apuração deverá determinar a extensão do suposto esquema, o destino dos recursos e eventual participação individual dos alvos.

A Assembleia Legislativa de Rondônia informou que acompanha as medidas e que está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações, ressaltando a necessidade de respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa.