Na gravação, o prefeito destaca o avanço dos conflitos entre organizações criminosas e exibe manchetes de veículos de comunicação que noticiam, de forma recorrente, homicídios e outros crimes relacionados à disputa entre facções. Embora não apresente dados estatísticos ou estudos que fundamentem sua análise, Moraes chama atenção para uma realidade que, segundo ele, vem se agravando, especialmente nas zonas Leste e Sul de Porto Velho, onde moradores convivem com o medo da violência e de possíveis invasões de suas residências por criminosos.

Ao abordar as medidas adotadas pelo município, o prefeito afirma que a Prefeitura tem buscado colaborar com as forças de segurança estaduais. “Implantamos a Atividade Delegada para reforçar o policiamento em pontos estratégicos e lançamos o primeiro concurso da história da Guarda Municipal”, destacou.

Sem mencionar diretamente o governador Marcos Rocha (União Brasil), o conteúdo do vídeo pode ser interpretado como uma cobrança por maior protagonismo do Estado na área da segurança pública, responsabilidade que, constitucionalmente, cabe aos governos estaduais. O posicionamento também dialoga com críticas recorrentes de setores da sociedade sobre a necessidade de ampliar o efetivo da Polícia Militar e fortalecer a estrutura operacional das forças de segurança diante do crescimento da criminalidade em Porto Velho.

Leia Também:

Ao final da publicação, Léo Moraes reforça que, embora a segurança pública seja uma atribuição do Estado, a administração municipal continuará colaborando dentro de suas competências. “Segurança é dever do Estado, mas não vamos cruzar os braços. Seguiremos colaborando e fazendo tudo o que estiver ao nosso alcance para proteger nossa gente”, afirmou o prefeito.

Déficit histórico compromete o combate ao crime

Em busca de compreender as causas do avanço da violência, a reportagem consultou dados do Ministério Público do Estado de Rondônia (MPRO). Os números revelam um cenário de déficit histórico nas forças de segurança, fator que compromete a capacidade operacional do Estado para manter o policiamento ostensivo, fortalecer as ações de inteligência e enfrentar com maior eficiência a expansão das facções criminosas em Rondônia.

A Polícia Militar de Rondônia (PMRO) conta atualmente com cerca de 4.710 policiais militares na ativa, quando o quadro considerado ideal é de 8.364, um déficit superior a 3.600 profissionais. A realidade da Polícia Penal é igualmente preocupante, com uma carência que ultrapassa 3.900 servidores, comprometendo a segurança nas unidades prisionais e a capacidade de fiscalização do sistema.

Embora o crescimento das facções tenha causas complexas, como fatores sociais, econômicos, falhas no sistema prisional e a atuação do crime organizado em âmbito nacional, é difícil ignorar que a insuficiência de efetivo reduz a capacidade de resposta do Estado.